As motivações

A existência do dinheiro não é um problema. O que está errado é a forma como é colocado ao serviço dos interesses de apenas algumas poucas pessoas, enriquecendo a minoria (1%) e empobrecendo a maioria (99%). Porque vivemos num sistema capitalista, competitivo e individualista, estão enraizadas no nosso modo de pensar e agir, algumas crenças erradas, tais como:

  • o dinheiro não é uma brincadeira e não pode ser dado a preguiçosos;
  • para ganhar dinheiro é preciso trabalhar no duro uma vida inteira;
  • é a necessidade de trabalhar que mantém as sociedades protegidas do Caos e lhes dá um sentido para a vida;
  • haverá sempre pessoas muito ricas e pessoas muito pobres;

Acontece que o resultado desta maneira de pensar não dá dignidade à vida humana, nem ajuda a proteger o nosso planeta:

  • o sistema financeiro funciona com base em dívidas e juros, porque criar moeda para os governos é como pedir emprestado e é por isso que já todos nascemos com dívidas para pagar;
  • a percentagem de pessoas ricas é ridiculamente menor quando comparada com a gigante maioria de pessoas pobres;
  • os ricos conseguem fazer mais dinheiro a partir do dinheiro que já têm e assim acumular fortunas;
  • quanto mais dinheiro conseguem acumular, maior é a sua ganância, menos dinheiro existe em circulação e maior é a pobreza dos outros;
  • trabalhar não é um garante de qualidade de vida, porque a maioria dos trabalhos é remunerado com pouco dinheiro, logo, mesmo muitas das pessoas que trabalham continuam pobres e em Portugal temos cerca de 20% a 40% de pessoas a viver com muitas dificuldades.

Fontes de inspiração

A primeira semente foi plantada após participação num ciclo de documentários organizado em Loulé, para promover o Movimento Transição, que tem o objetivo de incentivar a discussão e mudanças em áreas importantes da vida em sociedade, como Economia, Agricultura, Saúde e Educação. Nesses documentários foi possível conhecer melhor o conceito de Mercado Social e Moedas Locais a partir de casos de sucesso concretos, onde comunidades conseguiram melhorar a sua qualidade de vida com a aplicação dessas ideias.

Daí nasceu o interesse em estudar melhor estes conceitos e exemplos disponíveis em vários países, como a PUMA de Sevilha em Espanha, a Libra de Bristol em Inglaterra, o Banco do Tempo já presente em Portugal e o Instituto Banco Palmas no Brasil. Para além disso surgiu a necessidade de cruzar esses exemplos com o fenómeno virtual e mundial da BitCoin.

A busca da melhor solução

Ao estudar estes e mesmo outros exemplos de menor impacto, foi possível perceber que:

  • criar uma moeda física é muito complexo e difícil de se manter, desde logo porque obriga legalizar o seu uso junto das instituições governamentais e porque são necessários vários recursos humanos e financeiros voluntários, para a impressão e controlo da moeda;
  • as moedas digitais não necessitam de qualquer aprovação e tanto o Banco Central Europeu como o Banco de Portugal já referiram que não existe nada que as proiba;
  • o uso de dinheiro físico acaba sempre por ser algo pouco higiénico, menos seguro e cada vez mais antiquado;
  • as gerações mais recentes estão altamente conectadas com os dispositivos móveis e a internet faz parte das suas vidas de forma incondicional;
  • no entanto, as moedas virtuais existentes, como é o caso do fenómeno BitCoin, têm um funcionamento complexo e ao promoverem a compra e a venda das suas moedas, continuam a permitir que se faça negócio à volta do próprio dinheiro, tratanto a moeda como um produto e não como um meio de troca para fazer circular produtos e serviços essenciais à vida das pessoas.

Visão e valores fundamentais

Não se pretendendo, de todo, substituir os euros, o objetivo para a criação dos tostões é, desde sempre, dar às pessoas a possibilidade de colocar de parte ou poupar euros nas pequenas compras do dia-a-dia, como alimentação, vestuário, livros, entretenimento, formação, etc. Quanto menos euros as pessoas precisarem gastar, mais terão para suportar outras despesas ou desejos, desde as contas da luz, água, comunicações... a uma viagem de férias no final de cada ano.

É daqui que surge também a construção criativa para o nome: pequenos trocos... dinheiro de bolso... tostões como referência ao dinheiro antigo que dava para muito mais que o de agora e a expressão "os meus ricos tostões" que acaba por reforçar a ideia de que se pode fazer muito com o pouco nosso novo "dinheiro".

A plataforma RicosTostoes.com passa a ser o único sítio onde se pode ganhar, receber, guardar e transacionar tostões, tendo em conta os seguintes valores e normas:

  • qualquer pessoa tem direito a criar uma conta de membro na plataforma, onde pode ter a sua carteira de tostões;
  • afirmando a moeda como um instrumento anticrise financeira, todos os membros têm direito a um rendimento mínimo de tostões e nunca terão um saldo negativo;
  • porque o que se pretende é a circulação e não a acumulação de riqueza, o saldo de cada membro nunca irá exceder os 2500 tostões;
  • as transações de tostões são feitas entre os membros, tal como funcionam as contas bancárias online, e apenas a partir da plataforma;
  • estimulando a reutilização e a proteção do planeta, os membros podem publicar na plataforma os produtos e serviços que querem colocar à troca por tostões.

Amiga das pessoas e do comércio local

Como forma de dar rosto à comunidade online da plataforma, foi organizado um primeiro encontro de membros para que estes pudessem apresentar e trocar produtos e serviços com a moeda. Para esse encontro foi pedida a colaboração de uma mercearia local para ceder o espaço do seu armazém durante duas horas numa tarde. Durante a feirinha, a mercearia também esteve aberta e com duas campanhas a decorrer: uma dava a possibilidade aos clientes de pagarem 10% das suas compras com tostões; e a outra campanha dava tostões aos clientes quando estes optassem por pagar a totalidade das compras com euros. E foi assim que cerca de uma dezena de pessoas entraram e fizeram compras naquela mercearia pela primeira vez.

Com esta experiência, não só se comprovou que a nova moeda também é um instrumento capaz de fazer crescer o volume de negócios das empresas locais, como se percebeu que a adesão de lojas à comunidade de membros enriquece a oferta de produtos e serviços essenciais em troca da moeda. É desde então que os comerciantes podem explorar a moeda como uma espécie de pontos, créditos ou vouchers, que se podem ganhar e descontar nas suas lojas, mercearias, restaurantes, etc.

Ricos Tostões - Moeda Portuguesa Anticrise
Ganha e troca tostões pelo que quiseres.

Mar/2016 - Nov/2017
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