Sobre Ricos Tostões

Os Tostões são moedas sociais anticrise, utilizadas como meio de troca complementar aos euros, entre aderentes Particulares, Empresas, Associações e Autarquias registadas neste portal, para transacionar produtos e serviços do seu interesse, ao mesmo tempo que criam melhores condições de vida na sociedade.

Disponível apresentação PowerPoint

A chegar ao 2º aniversário de existência, decidiu-se repensar e criar algumas novas funcionalidades e redesenhar toda a imagem do portal (à data cerca de 40 páginas), por necessidade de dar uma imagem mais madura, sobriedade ao projeto de moeda portuguesa anticrise e até formalidade a algumas páginas específicas como a de saldo, histórico de movimentos, etc. Contudo e apesar de se terem passado 2 anos, os meios e recursos para produzir algo novo de raiz eram os mesmos do início, pelo que a tarefa ficou novamente a cargo de Domingos Pereira, que continuou a socorrer-se da framework Bootstrap, sempre com vista a um design adaptado a qualquer dispositivo móvel. Tratando-se de um trabalho exigente, meticuloso e de uma só pessoa, o mesmo ainda não foi totalmente concluído mas todas as fases têm sido partilhadas na página facebook dos Ricos Tostões.

Para manter uma ligação de alguma proximidade entre os membros de diferentes localidades, sentiu-se a necessidade de voltar a promover encontros de membros, mas desta vez num formato mais alargado para atrair mais pessoas. Assim, e aproveitando o simpático Jardim das Comunidades em Almancil, realizou-se a primeira feirinha dos Tostões ao ar livre, com um formato mais criativo e acompanhada de atividades de relaxamento, como yoga ou thai chi e um piquenique vegetariano de livre participação. O formato para a componente de feira foi inspirado no conceito de "car sales", quer dizer, é a mala do carro que faz de expositor de produtos.

A nova dinâmica de encontros foi criada a pensar na necessidade de potenciar a troca experiências sobre o uso desta maravilhosa moeda, amiga das pessoas, do pequeno comércio e das causas sociais, com a demonstração real de como funciona e esclarecimento de dúvidas de curiosos e aderentes mais recentes. Acaba também por servir o propósito de dar ideias de como outros membros em cidades mais distantes podem também dinamizar a moeda nos seus bairros.

Até aqui havia dois tipos de membro: Particular e Empresa. Mas agora as Associações passam também a ter direito a um registo específico e funcionalidades próprias. Uma delas permite que os membros da comunidade façam donativos em Tostões às Associações, beneficiando assim as duas partes envolvidas. Quem faz o donativo irá somar pontos para o ranking de desempenho mensal. As Associações que receberem os donativos acumulam mais Tostões, aumentando também as oportunidades de acesso a produtos ou serviços de que tenham necessidade, mas também a capacidade de ajuda direta, podendo emitir cheques de Tostões, para entregar a famílias ou indivíduos com dificuldades em ter um computador ou dispositivo móvel com acesso à internet.

O objetivo é que com os cheques as pessoas possam dirigir-se às lojas aderentes aos Tostões e pagar parte das suas contas com a moeda alternativa. Para depositar esses Tostões, basta ao membro Empresa inserir o código único que segue no cheque, na sua conta de Utilizador. Cada cheque apenas poderá ser depositado uma vez, caso contrário o membro Empresa irá receber uma mensagem de alerta e não poderá concluir o depósito. O mesmo acontece caso o cheque tenha passado de validade ou no caso do membro Associação não tiver saldo disponível.

A primeira feirinha foi seguida de mais algumas no mesmo formato de garagem, até ao final do ano. Mas como a adesão nunca foi a mais desejada, passou a existir a necessidade de tornar o projeto mais conhecido e de se fazer divulgação para lá dos amigos e familiares das pessoas mais próximas dos Tostões.

Na realidade, apesar destes Tostões terem nascido em Loulé, o sistema foi desde sempre aberto a todos habitantes do nosso país, para que qualquer comunidade pudesse usufruir da estrutura e dinâmica oferecida pelo Site.

No final do ano começaram a surgir as primeiras notícias em meios de comunicação nacionais, como "Tostões: A moeda digital portuguesa chegou para mudar o país e o mundo" publicada no Notícias ao Minuto e "Portugal já tem moeda anticrise, com ricos tostões" publicada no PTJornal. Foi um passo importante porque num par de dias, registaram-se cerca de 100 novos membros.

Como forma de transformar a ideia séria e aborrecida que em geral as pessoas têm do dinheiro e de como o ganhar, em algo bastante mais simpático e divertido, criou-se uma espécie de jogo entre os membros da comunidade Ricos Tostões, onde há crachás, pontos, e um ranking de desempenho mensal. O objetivo é apresentar as funcionalidades do Site e promover as boas práticas, premiando os membros que contribuam para fazer a comunidade funcionar e crescer. Por exemplo, ganha-se pontos com a assiduidade, publicação de produtos e serviços à troca por tostões, transações feitas com membros diferentes, avaliações atribuídas ou recebidas, etc. No final do mês os membros com mais pontos acumulados recebem um determinado número de Tostões no seu saldo.

Como forma de dar rosto à comunidade online da plataforma, foi organizado um primeiro encontro de membros para que estes pudessem apresentar e trocar produtos e serviços com a moeda. Para esse encontro foi pedida a colaboração de uma pequena mercearia em Loulé para ceder o espaço do seu armazém durante duas horas numa tarde. Durante a feirinha, a mercearia também esteve aberta e com duas campanhas a decorrer: uma dava a possibilidade aos clientes de pagarem 10% das suas compras com tostões; e a outra campanha dava tostões aos clientes quando estes optassem por pagar a totalidade das compras com euros. E foi assim que algumas pessoas entraram e fizeram compras naquela mercearia pela primeira vez.

Com esta experiência, não só se comprovou que a nova moeda também é um instrumento capaz de fazer crescer o volume de negócios das empresas locais, como se percebeu que a adesão de lojas à comunidade de membros enriquece a oferta de produtos e serviços essenciais em troca da moeda.

A partir daí foram criadas as necessárias condições para que os empresários locais pudessem explorar a moeda como uma espécie de pontos, créditos ou vouchers, que se podem ganhar e descontar nas suas lojas, mercearias, restaurantes, etc.

Sem nenhuma intenção de substituir os euros, Domingos Pereira acaba por programar um sistema online, para a criação e gestão de uma nova moeda virtual, com o objetivo de dar às pessoas a possibilidade de colocar de parte ou poupar euros nas pequenas compras do dia-a-dia, como alimentação, vestuário, livros, entretenimento, formação, etc. Em teoria quanto menos euros as pessoas precisarem gastar, mais terão para suportar outras despesas ou desejos, desde as contas da luz, água, comunicações... a uma viagem de férias no final de cada ano.

É também deste princípio que surge o nome - Ricos Tostões - como referência a pequenos trocos... dinheiro de bolso... associação ao dinheiro antigo (escudos) que dava para muito mais que os euros de agora, e a expressão "os meus ricos tostões" que acaba por reforçar a ideia de que se pode fazer muito com o pouco nosso novo "dinheiro".

A plataforma RicosTostoes.com passa a ser o único sítio onde se pode ganhar, receber, guardar e transacionar tostões, tendo em conta os seguintes valores e normas:

  • qualquer pessoa tem direito a criar uma conta de membro na plataforma, onde pode ter a sua carteira de tostões;
  • afirmando a moeda como um instrumento anticrise financeira, os membros têm mais facilidade de ganhar tostões e nunca terão um saldo negativo;
  • porque o que se pretende é a circulação e não a acumulação de riqueza, o saldo de cada membro nunca irá exceder os 2500 tostões;
  • as transações de tostões são feitas entre os membros, tal como funcionam as contas bancárias online, e apenas a partir da plataforma;
  • estimulando a reutilização e a proteção do planeta, os membros podem ainda utilizar a plataforma para dar a conhecer os produtos e serviços que querem colocar à troca por tostões.

A primeira semente foi plantada após a realização e participação num ciclo de documentários organizado em Loulé, para promover o Movimento Transição, que tem o objetivo de incentivar a discussão e mudanças em áreas importantes da vida em sociedade, como Economia, Agricultura, Saúde e Educação. Após visionamento de um dos documentários (Em Transição 2.0), foi possível conhecer melhor o conceito de Mercado Social e Moedas Locais e casos de sucesso onde comunidades conseguiram melhorar a sua qualidade de vida com a aplicação dessas ideias. Surge assim a proposta de Domingos Pereira para criar um grupo de trabalho para explorar a possibilidade de se criar uma moeda local para Loulé. Esse grupo de trabalho reuniu algumas vezes ainda durante esse ano e aprofundou o seu conhecimento nalgumas moedas alternativas já criadas noutros países, como PUMA de Sevilha em Espanha, a Libra de Bristol em Inglaterra, o Banco do Tempo já presente em Portugal e o Instituto Banco Palmas no Brasil. Para além disso surgiu a necessidade de cruzar esses exemplos com o fenómeno virtual e mundial da BitCoin.

Ao estudar estes e mesmo outros exemplos de menor impacto, foi possível perceber que:

  • criar uma moeda física é muito complexo e difícil de se manter, desde logo porque obriga legalizar o seu uso junto das instituições governamentais e porque são necessários vários recursos humanos e financeiros voluntários, para a impressão e controlo da moeda;
  • as moedas digitais não necessitam de qualquer aprovação e tanto o Banco Central Europeu como o Banco de Portugal já referiram que não existe nada que as proiba;
  • o uso de dinheiro físico acaba sempre por ser algo pouco higiénico, menos seguro e cada vez mais antiquado;
  • as gerações mais recentes estão altamente conectadas com os dispositivos móveis e a internet faz parte das suas vidas de forma incondicional;
  • no entanto, as moedas virtuais existentes, como é o caso do fenómeno BitCoin, têm um funcionamento complexo e ao promoverem a compra e a venda das suas moedas, continuam a permitir que se faça negócio à volta do próprio dinheiro, tratanto a moeda como um produto e não como um meio de troca para fazer circular produtos e serviços essenciais à vida das pessoas.

Infelizmente o grupo inicial acaba por desisitir da ideia de criar uma moeda local para Loulé e apenas Domingos Pereira mantém a vontade de o fazer.